História da Cidade

Terra de gente acolhedora, de sol sempre a pino, de grandes eventos turísticos e culturais, rodeada por serras ora secas, ora verdes. Assim é Banabuiú. Localizada na região do Sertão Central cearense, a cidade faz divisa com os municípios de Solonópole, Milhã, Quixadá, Quixeramobim, Jaguaretama e Morada Nova. Desde 2015, tinha uma população estimada de 17.315 pessoas. Conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a cidade tem sete bairros: Alto Alegre, Balneário Banabuiú, Centro, Conjunto Esperança, Vila Brasília, Vila Operária e Vila dos Marianos. Embora haja contradições, o uso correto do gentílico dado aos nascidos em Banabuiú é banabuiense. Afora a sede, possui quatro distritos: Laranjeiras, Rinaré, Pedras Brancas e Sitiá. Seu nome deriva de uma composição de palavras indígenas que Lexicamente significa “Brejo das Borboletas”, cuja composição é Bana (Borboleta) e Buy ou Puyú (Brejo). Antigos registros conferidos ao então senador Tomás Pompeu de Sousa Brasil, explicam que Banabuiú significaria “Rio que tem muitas voltas”. Sua denominação original era Poço Preto, passando depois para Laranjeiras e desde 1943, Banabuiú. Antes a cidade não passava de um pequeno povoado, um distrito que pertencia a Quixadá. No início dos anos 30 algumas famílias começaram a chegar às terras de Banabuiú, mais precisamente na Fazenda Amendoim de propriedade do Sr. Zezinho Queiroz. Alguns anos mais tarde, em 1952, a Inspetoria de Obras Contra a Seca (na época abreviada de IFOCS), chegou a Banabuiú ficando primeiramente no distrito de Laranjeira, pertencente ao município. A comitiva começou a construir o Campo de Pouso, as residências, um hotel, um hospital, uma escola e um complexo administrativo (escritórios, almoxarifado, cooperativa, carpintaria e uma oficina para automóveis pesados). Todo esse cenário foi montado para receber a comitiva que viria para cá para dar início à construção do Açude. Essa comitiva era composta de engenheiros, geólogos, técnicos, operários. Esses operários eram vulgarmente chamados de “cassacos”. Vale destacar que o trabalho realizado pelos cassacos era desumano, uma espécie de escravidão moderna. O antes Mas antes mesmo da cidade começar a se desenvolver, o que havia por aqui? Há inclusive uma lenda de que Banabuiú era habitada por índios. Estudiosos da história cearenses atestam que Potiguara, Paiacu, Tapairiu, Panati e Ariu, eram algumas das etnias indígenas que colonizaram o local. O Banabuiú da época de seu nascimento era apenas Laranjeiras, um distrito de Quixeramobim. De acordo com o IBGE, o distrito foi criado através do ato estadual datado de 26-08-1899. Em 29 de outubro de 1979 foi elevado a categoria de Vila por uma lei estadual. Uma outra lei do Estado, cerca de um ano depois, viria a desmembrar a cidade de Quixadá. A história do distrito é comporta por uma espécie de briga judicial que ora devolvia e ora desmembrava as terras ao município de Quixadá. Em setembro de 1926, até então independente, uma outra lei estadual e volta torná-la distrito de Quixadá. No final de dezembro de 1943 o distrito passa a denominar-se Banabuiú. Finalmente, em 1988, Banabuiú se emancipa e a localidade volta a se tornar distrito, desta vez de Banabuiú. A construção do Arrojado Lisboa: a pedra fundamental da história Boa parte do desenvolvimento da cidade deve-se à construção do Açude Arrojado Lisboa, pelo Departamento Nacional de Obras Contra às Secas (Dnocs).A obra teve início em 1952 com a instalação do canteiro, acampamento e estradas de acesso. Em 1953 começaram a abertura, limpeza e tratamento da fundação. A obra teve andamento normal até 1960, quando os seus construtores lutaram arduamente para que a barragem não fosse ultrapassada pelas águas, uma vez que a única passagem de descarga para o volume afluente era a galeria da tomada d’água. Superada aquela cheia, os trabalhos retomaram seu ritmo normal até que em 1961 novas chuvas preocuparam os construtores. Os foram reiniciados em 1963 e concluídos em 1966. A história do Banabuiú se atrela à história do Açude. Esse projeto faraônico trouxe gente de todas as partes do Ceará. Muitos encontraram trabalho, e estes, sob um sol escaldante, construíram Banabuiú. Segundo relatos de moradores que viveram por aqui na época da construção (nas décadas de 50, 60 e 70), ela se deu a custa de muito suor, dedicação e também muito sangue derramado. Foi nesta época em que a cidade mais cresceu. Os trabalhadores que aqui chegavam, foram ficando, formando suas famílias, fazendo assim desenvolver o lugar. Hoje Banabuiú é herdeiro dessa história, dessa geração de operários que não tiveram sequer o direito de pertencer a tal classe, pois estes “cassacos” estavam num patamar inferior à classe operária. Foi somente em 1988, conforme o Projeto-Lei nº 11.427 de 25 de janeiro deste mesmo ano que Banabuiú foi elevado à condição de município. EDIÇÃO DE TEXTO: José Avelino Neto COLABORAÇÃO DE TEXTO: Lila Oliveira e Adriana Márcia IMAGENS: Lila Oliveira (acervo pessoal), Janes Avelino (acervo pessoal), Banabuiú em Fatos e Fotos, internet/reprodução FONTES: Wikipédia, Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece), Departamento Nacional de Obras Contras às Secas (Dnocs), Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Anuário do Ceará e Governo do Estado do Ceará